Todo dia de manhã, uma freira de 58 anos sai pela calçada empurrando a própria cadeira de rodas, com uma pilha de marmitas no colo. O nome dela é Rosa.
Faz trinta anos que ela não falta uma entrega.
QUERO CONTRIBUIROito meses atrás, Rosa ia entregar essas marmitas de carro quando o carro saiu da pista numa curva. Ela acordou sem as duas pernas.
A primeira coisa que ela pediu não foi as pernas de volta, foi pra não parar de levar aquela comida.
A casa onde Rosa vive se mantém de ajuda da comunidade. Tudo que entra vira comida pra quem não tem, no mesmo dia. É Rosa quem cozinha e é Rosa quem entrega.
Carro ela não tem mais. Então vai de cadeira, com as marmitas no colo, quantas viagens precisar. Tem gente que espera aquela comida pra comer naquele dia, e ela conhece cada um pelo nome.
Só que agora existe um relógio: se as próteses não vierem em até um ano, o músculo que sobrou nas pernas enfraquece e ela não aprende mais a andar. Oito meses já passaram. Faltam quatro.
A comunidade tentou. Juntou o que pôde. Não chegou nem perto do valor.
Rosa passou trinta anos colocando comida na mão dos outros. Pela primeira vez, a mão estendida é a dela.
Tudo pode começar a mudar logo aqui embaixo:
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